Estamos inseridos numa sociedade cada vez mais consumista e individualista. Relações tornam-se superficiais e descartáveis. O ser humano, antes conhecido por um nome, que carregava junto de si toda uma história, tornou-se um número. Um número de identidade, um número de leito, um número como eleitor; números que, somados, transformam-se num importante percentual de consumo.
Diante dessa realidade, vamos nos acostumando com tratamentos rápidos, ágeis e, de certa forma, frios. Não há mais tempo para conversas que não as estritamente necessárias. “Tempo é dinheiro”! E dinheiro é mais importante do que pessoas! (???) Muitos dirão: NÃO! Mas, é NÃO mesmo?
Ao ingressar numa Universidade alguns indivíduos buscam a realização de um objetivo; outros, de um sonho. Mesmo havendo pontos importantes que são considerados, inegavelmente, o mercado de trabalho e o salário referente àquela profissão são levados em conta. Um curso Universitário é um investimento caro que precisa ser reembolsado. Quem escolhe ser assistente social, leva em contas essas questões, porque todos precisam sobreviver, mas a possibilidade de deixar de ser um mero observador das mazelas humanas e poder agir, intervir com habilidade e conhecimento é algo que fascina e que, no momento da escolha, fala mais alto.
Dentre os cursos oferecidos no campo das Ciências Humanas está o de Assistente Social. O Serviço Social é uma profissão de nível superior que deve ser exercida apenas por profissionais diplomados em instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), devidamente registrados no Conselho Regional de Serviço Social (CRESS).
No senso comum o assistente social é definido como “aquela pessoa que estuda para ajudar os outros”. Muito amplo e vago. Até porque um dos objetivos dos cursos superiores é melhorar a qualidade de vida dos indivíduos. O Assistente Social tem seu maior campo de atuação na Saúde. Mas, sua participação também é expressiva em outros campos como: Sócio Jurídico, Educação, Habitação, Empresarial etc. Um bom assistente social precisa estar apto a identificar e conhecer o seu objeto de intervenção; precisa estar atento às mudanças que ocorrem no cenário histórico (desenvolvimento econômico, político e cultural) e saber usar as competências profissionais técnico operativo (os instrumentos usados: visitas domiciliares, entrevistas, encaminhamentos, elaboração de programas e projetos), ético-políticas (ser ético nas decisões a serem tomadas) e teórico-metodológicas (cursos, leituras específicas etc.).
“Ajudar ao próximo sempre!” Tentando harmonizar, conciliar, respeitando as diferenças, eliminando preconceitos, fazendo valer mais o ser humano ao número que ele representa. Olhar nos olhos, apertar a mão, sorrir, dedicar-se. Não há sentido nessa profissão ser ela não for encarada dessa forma. Somos vidas e mesmo que venhamos a ser um número também numa lápide, a marca que deixamos que é a mesma que levamos é o bem que fazemos aos outros.
"Lembre-se que se algum dia você precisar de ajuda, você encontrará uma mão no final do seu braço. À medida que você envelhecer, você descobrirá que tem duas mãos - uma para ajudar a si mesmo, e outra pra ajudar aos outros." (Audrey Hepburn)
Por que esperar envelhecer?
(por Regina Maria Kraemer Wentz, Assistente Social (ULBRA) e pós-graduanda em Gerontologia (FEEVALE). CRESS nº 7366
|