Acidente vascular cerebral é todo aquele evento decorrente do comprometimento do sistema vascular (arterial ou venoso) cerebral. Popularmente, chama-se o AVC (acidente vascular cerebral) de "derrame" cerebral. Na realidade, o melhor é chamarmos estes acidentes vasculares de "acidentes encefálicos", pois o chamado encéfalo é constituído pelo cérebro+tronco cerebral+cerebelo (elementos estes contidos dentro do compartimento intracraniano). Os AVCs podem ser dividos em 2 grandes grupos: isquêmicos e hemorrágicos. Os chamados AVCs hemorrágicos ocorrem devido a ruptura de um vaso sanguíneo cerebral (arterial ou venoso) e os AVCs isquêmicos, devido a oclusão (entupimento) de um vaso sanguíneo.
Neste, a oclusão pode ser devida a uma trombose do vaso (quando o coágulo sanguíneo se forma dentro do próprio vaso, em decorrência de uma lesão prévia do mesmo-p. ex: uma placa de ateroma que já tenha lesado o vaso) ou por uma embolia (quando um coágulo se desloca à distância, ocluindo um vaso cerebral longe da sua origem (p. ex.: um coágulo que se desloca do coração, "fluindo" pela corrente sanguínea, e se aloja numa artéria cerebral obstruindo a mesma). Nos AVCs hemorrágicos, ocorre a ruptura do vaso sanguíneo, permitindo o extravasamento de sangue para dentro do tecido cerebral, com destruição do mesmo. Esta ruptura pode ocorrer devido a um defeito da parede do vaso sanguíneo (um aneurisma cerebral) ou por uma mal-formação vascular no cérebro (um angioma cerebral, p. ex.). As hemorragias também podem ocorrer por ruptura de vasos sanguíneos cerebrais ateroscleróticos (vasos doentes, endurecidos pelo processo de arteriosclerose) num momento de elevação da pressão arterial sistêmica.
As causas ou fatores de risco mais frequentes para o AVC são: tabagismo (aumenta em 6x a chance de se ter AVC); hipertensão arterial sistêmica e diabete melito (aumenta em 3x/cada), Dislipidemias (aumento do colesterol e dos triglicerídeos- aumenta cerca de 2,5x), doenças cardíacas (arritmias, defeitos de válvulas cardíacas, próteses valvulares no coração, etc.), sedentarismo, obesidade, fatores genéticos e outros.
Os sintomas mais comuns, que alertam para a doença, são: dor de cabeça de início súbito, "explosiva", refratária aos analgésicos, associada a náuseas, vômitos, rebaixamento do nível de consciência, convulsões, paralisias e dificuldade para falar. Por vezes o quadro se instala de uma maneira incidiosa, "aos poucos", com o paciente se queixando de fraqueza ou dormências em um dos lados do corpo, podendo ou não se acompanhar de dores de cabeça, confusão mental ou dificuldade para articular as palavras. Basicamente, estes seriam os sinais de alerta para que o paciente procure assistência médica.
A prevenção deve se basear na prevenção dos fatores de risco, ou seja, no abandono do tabagismo, no controle rigoroso da hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias e de outras doenças de base, bem como na prática de hábitos saudáveis de vida (exercícios regulares, controle da obesidade, do estresse).
Dr. Carlos Augusto Adamy
Neurocirurgião
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