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O período de Carnaval é sem dúvida a época do ano em que as pessoas estão mais voltadas para a alegria, a descontração, o divertimento e o prazer. O que por si só não tem nada de censurável. Pelo contrário... Mas junto com isto muitas vezes ocorrem exageros, excessos e descuidos, e que podem se refletir de modo desfavorável sobre a saúde. Por isto o lembrete: alegria e cuidados não são excludentes.
Algumas recomendações para o período.
Durante o período de Carnaval costuma ocorrer um importante aumento no consumo de bebidas alcoólicas, que podem levar a quadros agudos de intoxicação, como náuseas, vômitos, desequilíbrio, desorientação e por fim, coma, cuja gravidade é proporcional ao volume de álcool ingerido, mas que pode se relacionar também a alimentação prévia, ingestão de água e tolerância individual.
É importante lembrar ainda que o exagero da ingestão de álcool é na maioria das vezes o responsável por uma estatística macabra de acidentes de trânsito ou de violência interpessoal, acentuada no Carnaval. As estatísticas nos mostram apenas as mortes ocorridas na cena dos eventos, mas nada falam das mortes posteriores e do sofrimento e limitações físicas ou mentais, de caráter muitas vezes permanente.
A questão de outras drogas psicoativas, ilícitas, cujo primeiro contato pode ocorrer no Carnaval, é muitas vezes o início de um caminho sem volta, e para o qual é preciso estar muito atento, especialmente quando se é jovem.
A sensação de liberdade, a ingestão de bebidas alcoólicas e a facilidade de contatos interpessoais, deve levar a uma preocupação imprescindível: a prática do sexo seguro.
Sua inobservância pode causar não só gravidezes indesejadas e fora de um contexto responsável, mas muito mais frequentemente doenças sexualmente transmissíveis, como AIDS, hepatites, sífilis, blenorragia, HPV, herpes, etc... Apesar dos avanços em seu tratamento, ainda oferecem um risco que não pode ser desconsiderado, especialmente nas de etiologia viral. Por isto, a recomendação, que embora desgastada por tão repetida, é jamais transar sem preservativo, principalmente nas circunstâncias do período carnavalesco. Não permita que a euforia deixe a saúde (e a camisinha) num segundo plano....
O contato com muitas pessoas, em aglomerações de rua ou de ambientes confinados, tem a ver não somente com a exacerbação da sexualidade, mas também com a transmissão de doenças infectocontagiosas de outra natureza. Por isto, é muito importante estar protegido pelas vacinas disponíveis para muitas doenças, como a hepatite B.
Outra condição a ser lembrada diz respeito a problemas de audição, causados pelos ruídos de equipamentos de som superpotentes, em clubes ou trios elétricos. Podem atingir intensidades sonoras de até 120 decibéis, muito próximas das turbinas de um avião a jato, e que podem causar perdas auditivas irreversíveis.
No caso de associação de carnaval e praia, é preciso estar bem consciente de redobrar os cuidados com os banhos de mar, rios e lagoas. O sono, a ingestão de bebidas alcoólicas e o cansaço, podem estar muito relacionados ao aumento dos índices de afogamentos que se registram no período. E não esquecer de evitar os horários de maior calor e do uso de protetores solares, numa época em que a concentração de raios ultra violeta costuma estar muito elevada.
Outras considerações, sobre alimentação e atividade física, em outros artigos da presente edição.
Um excelente Carnaval a todos.
Dr. Dirceu Mauch
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