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Toda droga é uma droga. Se droga fosse bom, teria outro nome. A frase é de um policial civil do Denarc que percorre o estado com palestras direcionadas a estudantes, pais e professores. Na bagagem, prisões e apreensões que seu departamento faz, cada vez mais, nesta guerra diária. A didática, o diálogo franco, a interação simpática e sem melindres da equipe da Polícia Civil gaúcha conquista os jovens. Que se aproximam. Conversam, tiram dúvidas e contribuem. Assim agem componentes do Proerd – programa de Resistência às Drogas e a Violência – e outros tantos policiais pelo nosso Estado afora. Isto é educação. Cultura. As melhores armas contra qualquer mal.
Educar é conversar sobre o álcool. Uma droga lícita – ou quase lícita, pois temos várias restrições legais ao seu uso – e que causa estragos irreparáveis na vida das famílias brasileiras, além de fazer a entrada para outras drogas. É o porteiro. Depois, as outras drogas tomam conta do indivíduo. Quem traz? Na maioria das vezes, os próprios pais. Acredite. Levam os filhos junto com eles no boteco, bebem em casa até cair, dirigem doidões na frente deles. E achando bonito. Nem aniversário infantil se perdoa. Há festinhas onde o mais importante, até que balões, doces e essas coisas de criança, é a bebida dos adultos. Aliás, tem pai, tio e amigo – da onça, mas amigo – que gosta de provar que o pequeno tem fibra mandando beber. É um gole só, não faz mal, dizem. Só que todo gole quer mais, em seguida, e vira copo, garrafa, engradado. Aí já era. Tá viciado. Fora quando falta bebida e sempre um gênio manda logo o filho pequeno lá no mercado buscar mais. Há quem venda. Bom negócio é fechar os olhos e embolsar. O ser humano é assim. Horrível. Tá, o álcool atrasa. Mas não age sozinho. E há tem quem adore dar ré na própria vida. Fazer o quê. Arma e fuga dos covardes, desculpa de irresponsável, máscara de recalcado, mesmo com o ditado aquele de que certas partes de bêbado não têm dono, ele pode ser aliado a festa, futebol e mulher bonita na propaganda. Mas só na propaganda. A vida real é cadeia, clínica ou cemitério.
A importância de educar para prevenir também passa pelo exemplo da maconha. Esse negócio de legalizar, liberar, é bom cuidar melhor e estudar o assunto. Quem defende maconha é traficante. Nós - pais, professores, policiais, cidadãos que aspiram sonhar com dignidade e um futuro melhor, que precisamos salvar nossos filhos - não temos como defendê-la. Basta verificar os efeitos desta droga no organismo. Alteração do humor, com tendência a euforia e relaxamento, distorções espaço-temporais, sensação de insights ou pensamentos mágicos, taquicardia, dilatação dos vasos sanguíneos e oculares, boca seca, aumento desnecessário do apetite e tontura. Fora os danos no cérebro. E, para esclarecer, sim, a maconha provoca mais estragos no pulmão que o tabaco. E é mais cancerígena. A começar pelo modo de fumar - sem filtro, tragando forte. Defendê-la, portanto, é atacar a nossa saúde.
Veja bem. Não estou falando em pena de morte a traficantes, ou em execrar usuários da cannabis. Só em mudar o enfoque e afastar enganos demagógicos ou politiqueiros. A prova está no estudo apresentado pela UNODC – o braço da ONU que estuda a evolução das drogas e do crime organizado no mundo. Estamos fazendo tudo errado. Entendemos que o problema sobre drogas era de saúde acima de ser, também, de segurança pública e social, o que é bom. Mas nos precipitamos e afrouxamos a legislação sem um preparo cultural e educacional coletivo, sem montar redes de atendimento e proteção e sem levar as políticas públicas corretas a sério e como prioridade. Hoje, temos a impressão equivocada da liberação, o usuário convivendo com a ideia de impunidade e a ONU, enquanto isso, apontando que estamos cada vez pior. Muito pior. Triplicamos usuários e drogas no mercado. Ou seja, afrouxar não deu certo. Satura a saúde pública e leva a lugar nenhum além da impunidade.
Ora. Essa tal erva que algumas músicas e discursos defendem, definitivamente não é da boa. Nunca será. E permiti-la significa oferecer gratuitamente uma geração ao caos. Perder definitivamente o controle. Ainda mais que traficante, acreditem, não é um sujeito confiável. Ele mistura crack na maconha, o famoso “pitico”, e vicia a meninada sem que ela se dê conta. Mistura até fezes de cavalo para a “erva” render mais. Os espertos ficam doidões fumando cocô. E defendem esta ideia. Incrível. Definitivamente, maconha faz mal. É droga. Erva da boa só para chimarrão. E, mesmo assim, é bom conferir em que cuia estão te oferecendo.
O Oxi chegou ao Rio Grande do Sul. Policiais do Denarc, que estão acabando com a farra de quadrilhas como a dos Bala na Cara, revelaram 300 gramas de oxi apreendidos em Porto Alegre. Mil e quinhentas pedras de uma droga que é ainda mais letal do que o crack. Isto serve de alerta, e é alerta vermelho. Outras se sucederam. É o mal que sucederá o crack. Converse sobre isto em família. Avise. Alerte. Mostre. Vamos pensar e agir. Não podem continuar levando nossos filhos em troca de moedas.
O que fica, depois desta nova descoberta, é uma inquietude: se veio o crack, devastou gerações, e agora chega o oxi, quando estaremos de fato protegidos contra estes males? A resposta é simples, embora o caminho seja complexo. Só quando resgatarmos valores, priorizarmos a educação, a família, a base da nossa sociedade é que seremos mais fortes. Só quando deixarmos de tratar o outro como coisa, dermos de ombros a dor alheia e pensarmos apenas no nosso umbigo. Só quando deixarmos de caçar professores escola que denunciam falcatruas com merenda escolar e outras farras. Aí estaremos fortes e prontos para sermos livres. Caso contrário, é aguardar o nome da nova droga que matará nossos filhos. E rezar.
E lembre sempre do símbolo da mão em sangue na campanha das Nações Unidas contra o consumo de drogas. Quem entra neste vício, financia a violência. O mundo mata crianças e inocentes todos os dias, rouba sonhos e esperanças por causa das drogas. O dar um basta nisto tudo começa pelas pequenas ações de cada um de nós.
Oscar Bessi Filho
Capitão da BM e escritor
Colunista dos jornais Correio do Povo e Ibiá
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