Em função dos inúmeros, contínuos e até algum tempo impensáveis avanços tecnológicos alcançados, e da melhoria dos indicadores sociais, podemos observar algumas tendências muito claras: uma transição demográfica (estamos vivendo mais), acompanhada de uma transição epidemiológica (mudanças nas causas de doença e de morte que nos acometem, com predomínio crescente das chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis).
No Pronto Atendimento do Hospital Unimed Vale do Caí são atendidas grande parte das urgências e emergências de nossa região. A seguir estamos apresentando um resumo de Trabalho de Conclusão de Curso, realizado pelo Dr. Carlos Augusto Agnezi, para a obtenção do título de Especialista em Urgência e Emergência, em que analisa o atendimento de 4.000 pacientes atendidos de junho a setembro de 2010. De 196 pacientes que consultaram por dor torácica, 24 tiveram confirmado o diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio. Chama a atenção a elevada ocorrência nestes, de obesidade, diabete, hipertensão e tabagismo. Em relação a outras doenças agudas e graves, como outras cardiopatias e acidentes vasculares cerebrais, é de se esperar a ocorrência de dados muito semelhantes.
Os dados analisados pelo Dr. Agnezi em sua extensa pesquisa apóiam a linha de atuação do Espaço Vida Unimed, fortemente voltada para a prevenção da obesidade, do diabete, da hipertensão e do tabagismo, e de combate ao sedentarismo, hábitos alimentares inadequados e fatores emocionais adversos.
Cumprimentamos o Dr. Agnezi, cujo trabalho, de forma muito resumida, apresentamos a seguir.
“Infarto Agudo do miocárdio normalmente é sinalizado por dor torácica, fato que proporciona ao individuo que sofre a injuria a busca pelo atendimento e provável tratamento com sucesso. Este estudo tem por objetivo identificar a incidência de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) em pacientes que referiram dor torácica em consultas realizadas em pronto atendimento de um hospital do interior do estado do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, descritivo, com abordagem quantitativa. Os dados foram coletados a partir do prontuário de todos pacientes, atendidos, referindo dor torácica e que foram submetidos a exames de enzimas cardíacas (CK-MB e troponina) e Eletrocardiograma (ECG) nos meses de junho, julho, agosto e setembro de 2010. A análise das informações foi realizada conforme os pressupostos de Santos Filho (2002), Gil (1995) e Rummel (1974).
A análise dos dados foi realizada com métodos estatísticos, descritivo e reflexivo, seguindo abordagens bibliográficas de Santos Filho (2002), Gil (1995), Rummel (1974). Evidenciaram-se os seguintes resultados: de 196 pacientes que consultaram por dor torácica, 24 apresentaram IAM. Dos 24, 58% eram do sexo masculino e 48% do sexo feminino. Observou-se também que 75% dos pacientes que apresentaram IAM eram obesos, 50% tinham diabete, 54% eram fumantes e 62% eram hipertensos. Quanto à faixa etária, o índice é mais elevado ficou entre 66 a 75 anos. Podemos afirmar que a incidência de IAM em pacientes com dor torácica ainda é demasiadamente elevada e coincide com as estatísticas em relação aos fatores de risco: obesidade, diabete, fumo e hipertensão.
Palavras-chave: Infarto Agudo do Miocárdio, dor torácica, fatores de risco.
O presente estudo mostrou que de 196 pacientes que consultaram por dor torácica, 24 (12%) confirmaram diagnóstico de IAM. Dos 24 com IAM, 14 eram do sexo masculino e 10 do sexo feminino; 18 pacientes apresentavam obesidade; 15, hipertensão arterial sistêmica (HAS); 12 pacientes eram portadores de diabete e 13 eram fumantes ou ex-fumantes.
A maior ocorrência de IAM deu-se na faixa entre 56 e 75 anos. Na maioria dos indivíduos, os fatores de risco (diabetes, hipertensão, obesidade e hábito de fumar) apresentaram-se concomitantemente. Estudos demonstram que a presença de três ou mais destes fatores em conjunto constituem marcadores independentes de pior prognóstico.



|