...O que é ser diferente?
O diferente e a diferença são partes
da descoberta de um sentimento,
armado pelos símbolos da cultura,
diz-nos que nem tudo é o que eu sou
e nem todos são como eu sou
Carlos Henrique Brandão
No próximo dia 3 de dezembro comemora-se o Dia Internacional de Luta dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Neste período intensificam-se os momentos de debate, de visibilidade da pauta, de reflexão, de celebração, de pressão. No entanto, a pauta da inclusão das pessoas com deficiência deve estar presente nos 365 dias do ano.
No Brasil, segundo o Censo 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 24,5 milhões de pessoas tinham alguma deficiência, representando 14,5% da população.
Em novembro de 2011, o IBGE divulgou dados preliminares da população com deficiência, do Censo 2010, e os números apontam que 46 milhões de pessoas tem alguma deficiência em nosso país, representando 24% da população brasileira.
Mesmo com estes números significativos, o Brasil ainda traz, como outras sociedades ao longo da história, a marca da invisibilidade, do preconceito e da discriminação social em relação às pessoas com deficiência.

Invisibilidade e preconceito são afirmações não apenas retóricas. De fato, boa parte da população com deficiência no Brasil permanece invisível, especialmente distante do acesso à educação, ao trabalho, aos serviços de saúde e reabilitação, aos transportes, à cultura e à comunicação e informação, que são direitos garantidos pela Constituição Brasileira.
O movimento de inclusão das pessoas com deficiência está relacionado a uma perspectiva histórica mais ampla, na qual se insere o movimento mundial de defesa dos Direitos Humanos. A partir do final da década de 1980, e principalmente nos anos 2000, o campo dos direitos das pessoas com deficiência é marcado no Brasil por um processo de conquistas legais para efetivação de direitos e de conscientização da sociedade.

Este processo de transformação social, também gerou uma nova concepção acerca da deficiência. Segundo a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que no Brasil tem status de Constituição, a deficiência é um conceito em evolução e é resultante da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
Portanto, a sociedade precisa se transformar para acolher a diversidade presente na humanidade. Aprender e conviver com as pessoas com deficiência é fundamental para que possamos avançar na construção de uma sociedade inclusiva, mais justa e igualitária.
Psicopedagoga Carla Mauch
Coordenadora Geral da ONG Mais Diferenças
Educação e Cultura Inclusivas
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