Poderia citar inúmeros artigos com dados, revisões a respeito dos benefícios da corrida ou sobre preparação física, mas com certeza isso é realizado com muito mais qualidade por educadores físicos e profissionais ligados ao esporte, do que por mim, um mero “profissional” atleta. Ao invés de escrever a respeito disso tudo e sobre praticar uma atividade física (neste caso a corrida), vou tentar passar a experiência pessoal do que observei em quase 2 anos de corrida “praticamente” ininterrupta.
Iniciei a correr exatamente no dia 07 de janeiro de 2010, após subir em uma balança e ter certeza que minhas calças estavam apertadas não por que encolheram, mas porque tinha adquirido mais massa corpórea que os seus botões conseguiam conter sem desconforto. Pronto, saí correndo após o trabalho naquela tarde como se fosse um doido, por mais ou menos uns 20 minutos até parecer que iria ter um famoso “troço”. Mas como nunca tinha sido sedentário e não costumo desistir fácil, tracei uma meta: participar de uma corrida de rua, cuja data tinha escutado em um anúncio na rádio seria em 20 dias. Detalhe: tinha que ser 10 quilometros, porque 5 eu achava muito pouco. Hoje pensando nisto me dá uma alegria muito grande de duas coisas, ter conseguido completar a prova e mais ainda não ter tido nenhum “troço” durante a 1:03 que levei para completar os 10k. E apesar das dores e sofrimento iniciais ainda hoje lembro daquela noite, com a lua nascendo sobre o mar de Capão da Canoa que naquela noite estava como de “Floripa”, e um astral tão bom que decidi que não pararia mais de correr.
Correr para mim foi assim fácil, bastou uma motivação, um par de tênis, uma bermuda e camiseta e um tempinho disponível, nem que fosse 20 minutos.
A corrida é assim no início, um sofrimento, fadiga e dor... que inicia nos primeiros passos e vai mudando de lugar e intensidade até o dia seguinte ou um pouco mais. Mas em pouco tempo tudo isto vai se transformando em bem estar, tranquilidade e energia. A sensação do vento passando, a musculatura firme impulsionando o corpo pra frente ritimadamente, a mente se esvaziando de todo o resto, pensando na pisada, no ritmo, no trajeto acabam sendo extremamente prazerosas para o corpo e a mente. Posso estar enganado, mas acho que nenhum esporte dá tanto auto-conhecimento como a corrida.
A partir daí comecei a perceber que a sensação de bem estar não se limitava mais ao momento em que corria (aí já eram umas 5 vezes por semana) mas perduravam por mais tempo! Esta sensação permanecia durante o trabalho, e auxiliava nas noites de sono. A disposição aumentou muito, para qualquer atividade, inclusive correr, o mau tempo já não era impecilho e sempre havia motivação. Além disso acabei melhorando incrivelmente meus colesterois, triglicerídeos e glicoses da vida, que saíram de patamares vergonhosos com direito a sermão da noiva etc... para bem aceitáveis. Então também vi que a chance de eu ter o “troço” estava cada vez mais longe!
Continuei correndo mais longe, cada vez mais rápido e com menos sofrimento, traçando metas de baixar o tempo continuamente, de 1:03 para 54:35 e 50:26 em 6 meses, neste momento já com 7 quilos a menos! A mudança foi tão grande que consegui arrastar minha noiva sedentária convicta para fora do sofá. A motivação para o início foi a mesma: 20 dias para uma prova de 5 quilometros. Detalhe: no primeiro dia o máximo que ela conseguia correr era 1 (um mesmo) minuto. Mas o objetivo foi cumprido, 5,5k em 42 minutos! E como o bixinho da corrida também picou ela, hoje somos companheiros de treino e competições.
Outras coisas mudaram também: o círculo de amizades com pessoas ligadas ao esporte aumentava, e como é de se esperar, algumas dessas com histórias semelhantes. Alguns amigos tinham perdido mais de 20 quilos! E todos fazendo uma atividade agradável!
Participando mais frequentemente de competições acabei encontrando não só novos amigos mas que não via há muito tempo praticando o mesmo esporte. Isso é: além das novas, acabei renovando velhas amizades. Assim comecei a trocar experiências com quem praticava a mais tempo, tendo o intuito de melhorar continuamente meu desempenho. E obviamente conhecendo novas pessoas, acaba-se conhecendo novos lugares para correr e competir. E assim comecei o “turismo de corrida”, viajando para competir em lugares diferentes, fora do circuito de Porto Alegre.
E é com muita alegria que participarei da Primeira Corrida Unimed Vale do Caí, um evento com excelente organização, e que tenho certeza que veio para ficar. Parabéns aos idealizadores, e que este seja o primeiro passo de muitos que como eu ficaram viciados nesta atividade! Boa prova a todos!
Dr. Gustavo Faller
Médico Cooperado da Unimed Vale do Caí |