Ainda existe, no Brasil, a cultura de que pele bronzeada é sinônimo de saúde. As pessoas acreditam que estão bonitas e saudáveis quando estão com a pele dourada. Talvez esta cultura seja alimentada pelas belezas naturais de nosso país, o mais extenso litoral tropical do planeta (mais de 8000km de costa). Outra hipótese está baseada nas campanhas de marketing de produtos de diversas naturezas, veiculadas em revistas, outdoors e televisão, que costumam apresentar esteriótipos de beleza, cujas peles apresentam-se bronzeadas. Neste caso há um paradoxo: as campanhas de marketing alimentam a cultura de "pele bronzeada é sinônimo de saúde", ou o inverso, esta cultura, difundida na população brasileira, é que alimenta tais campanhas de marketing. De qualquer maneira, a cadeia maligna "exposição solar - pele bronzeada - sinônimo de saúde" ainda faz parte da cultura da maioria da população brasileira.
Durante o verão, nos expomos mais ao sol do que em outras épocas do ano. A maioria das atividades de lazer, como banhos de sol, mar e piscina, prática de esportes na praia e ao ar livre, e mesmo diariamente, a incidência de raios solares sobre a pele aumenta de forma considerável. Como se sabe, este aspecto saudável que o bronzeamento confere, não é verdadeiro, pois os riscos de queimaduras (eritema/edema), envelhecimento precoce e câncer da pele relacionados às radiações solares estão sempre presentes. Muitas pessoas, em virtude da natureza de seu trabalho, não podem evitar a exposição solar, outras continuam a se expor ao sol, em função da valorização estética do bronzeado. Mas, podem ser minimizados através de cuidados especiais, como uso de chapéus, guarda-sóis e sombrinhas, óculos escuros, evitar exposição entre as 10h e 16h, e principalmente pelo uso de filtros solares.
Evidências indicam que a exposição cumulativa à radiação solar durante a vida do indivíduo é a causa mais importante do desenvolvimento de Câncer da Pele em humanos. Tal fato levou a Academia Americana de Dermatologia a afirmar que o aumento do número de casos de câncer de pele nos EUA seria uma epidemia não declarada, mostrando dados alarmantes, por exemplo, expectativa de ocorrência de um milhão de novos casos de câncer de pele a cada ano; a morte de um americano a cada hora, devido ao câncer de pele; e um aumento de 1800% , de 1930 até hoje, na incidência de melanoma malligno, a forma mais mortal de câncer de pele. No Brasil, estima-se que surja algo em torno de 39 000 novos casos de melanoma a cada ano.
Os malefícios solares podem ser minimizados através de cuidados especiais, como uso de chapéus, guarda-sóis e sombrinhas, óculos escuros, evitar exposição entre 10 e 16 h, e principalmente pelo uso de filtros solares. Estes, devem fazer parte dos hábitos diários de cuidados da pele, inclusive para crianças. Os bons hábitos protetores, que previnem as consequências indesejáveis da exposição solar devem ter início na infância, pois o processo de fotoenvelhecimento cutâneo e desenvolvimento de câncer de pele é insidioso e cumulativo. O uso rotineiro de filtros solares contribui para o bem estar humano, melhorando o aspecto estético das pessoas e se constituindo numa das principais medidas de prevenção do câncer de pele.Para o uso de filtros solares, é sugerida a reaplicação a cada 2h(se exposto diretamente ao sol) e 4h( se exposto indiretamente). O ideal é que o Fator de Proteção Solar(FPS) seja, no mínimo, 15. Para pessoas com pele, olhos e cabelos claros o FPS deve ser em torno de 30.
CÂNCER DE PELE: É IMPORTANTE SABER QUE...
- Câncer de pele é o crescimento anormal e descontrolado da células que compõe a pele, dependendo do tipo de célula afetada, teremos os diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares, e o mais perigoso , o melanoma.
- É mais frequente em pessoas de pele branca, que se queimam com facilidade e não se bronzeiam ou se bronzeiam com dificuldade.
-Surge, na grande maioria dos casos, em regiões de pele repetida e prolongadamente expostas ao sol.
- Os cânceres de pele não "pegam" e não são hereditários, embora, em algumas famílias, ocorram com maior frequência, o que depende mais do tipo de pele.
- Os métodos de tratamento mais usuais implicam na destruição (cauterizações, radioterapia) ou na remoção (curetagem, cirurgia).
- Queimaduras e bronzeamentos são evidências de agressão consumada à pele. Quanto mais intensos e mais numerosos, mais alterações causam à pele, o que significa maior probabilidade de câncer no futuro.
- A prevenção também é feita pelo tratamento de lesões capazes de transformarem-se em câncer de pele.
- As deformações e mutilações são frequentes no câncer de pele e, como as metástases, são evitáveis se o diagnóstico e o tratamento forem feitos precocemente..
- A prevenção do câncer de pele deve começar na infância.
- Em cada 100 casos de câncer, 25 são localizados na pele. Em cada 100 casos de câncer de pele, 70 se localizam no rosto, 80 são do tipo basocelular, 10 do tipo espinocelular e 5 são melanoma ( o mais perigoso).
- Os "sinais", "verrugas" e "caroços" que nós temos, normalmente, não têm importância. No entanto, se você tem uma "ferida" que não cicatrize, um sinal que modifique na cor, aumente no tamanho ou sangre, uma verruga que coçe, doa ou sangre, repetidamente aos pequenos traumatismos, com o roçar da toalha, em todas estas condições está indicada uma avaliação. Muitas vezes são alterações benignas, mas em alguns casos podem ser o começo de um câncer de pele.
- Se você tem um desses problemas, não fique só preocupado. Transfira as suas preocupações para o seu médico, que tomará as providências para esclarecer o seu problema, propondo a solução adequada.
Drª Moema de A. Flores Cruz
Dermatologista
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